Por um Triz

Denzel despretensioso: isso já é digno de nota. Este é aquele tipo de filme que justifica o slogan do Grupo Severiano Ribeiro – Cinema é a maior diversão. E nada mais que isso. Não há nenhum diálogo memorável ou atuação brilhante, mas ao tentarmos desenrolar nós mesmos o novelo de problemas em que se mete Matt Lee Whitlock, o protagonista interpretado por Washington , temos duas horas de um gostoso entretenimento.

A história é contada na forma de um film noir, com quase todos os seus ingredientes, só faltando a fotografia em preto-e-branco, na penumbra, e a voz do narrador em off. No roteiro, nem todas as justificativas são muito boas, nem tudo se encaixa tão bem quanto deveria, este é o defeito mais grave do filme. Mas o ritmo faz a gente esquecer das falhas e engolir a história.

O fato é que acabamos de passar por uma safra de filmes lançados para o Oscar. Estava tudo grandioso demais, pretensioso demais. Não podemos julgar este filme do mesmo jeito. Por um triz é pulp fiction. No melhor sentido da expressão.


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Alguém tem que ceder

Diane Keaton e Jack Nicholson têm química neste filme. Isso é mais do que se espera das comédias românticas ultimamente, mas é menos do que se espera de um filme com Diane Keaton e Jack Nicholson. Nancy Meyers (de Recruta Benjamin) fez um filme elegante e, como devemos desconfiar de todo filme com um protagonista escritor, um tanto biográfico.

Something's Gotta Give (2003)Renovar um sub-gênero batido com atores mais velhos – ainda mais em Hollywood – é um feito. Mas nem tudo são flores. Parece que a obrigação de fazer uma comédia acaba nos trazendo cenas pouco sutis. São sintomas de um pouco de insegurança atrás das câmeras, ou das exigências comerciais da produção. Talvez os dois.

Como mostrar um (quase) triângulo amoroso envolvendo mãe e filha sem fazer a coisa toda parecer pura sem-vergonhice? Por essas e outras, a elegância, em parte mérito do excelente elenco, não tem só importância estética, mas é vital para fazer a história ficar verossímil. Por conta disso, e por fazer um elenco mais velho parecer mais interessante que sex simbols dos dias atuais, já vale o ingresso.


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Compare Preços: Alguém tem que seder, As good as it gets



Dirigindo no escuro

Assistir a um Woody Allen é sempre bom. Muitos de seus filmes poderiam ser melhores, mais bem cuidados, mas ele é acima da média sem fazer esforço. Todo o sarcasmo e a ironia do diretor usados para criticar os californianos e a “industria” do cinema fazem de Dirigindo no escuro um presente para os cinéfilos.

Hollywood Ending (2002)Você vai ver um protagonista paranóico, hipocondríaco e com uma crise de estresse e auto-confiança. Como sempre. Mas quem se importa de rir mais desta mesma piada, desde que misturada com novos diálogos inteligentes e referências inusitadas?

Ainda há uma boa surpresa técnica: o VHS do filme estava em widescreen! Não é raro que alguns bons filmes sejam lançados em fullscreen mesmo em DVD. Um absurdo.

Vou resumir minha indignação. Existe cargo chamado direção de fotografia que, durante a produção de um filme, é o segundo nome no set. Ele só não é mais importante que o diretor. O trabalho desse profissional consiste, muito resumidamente, em enquadrar e iluminar. Quando uma distribuidora de filmes resolve que um filme – que está um formato retangular – tem que encaixar nas TVs – quadradas –, eles simplesmente cortam seus pedaços laterais. E assim vai para o lixo grande parte do árduo trabalho do diretor de fotografia.

Por exemplo: em um filme como Seven – Os sete crimes capitais, onde a proporção original é de 2.40:1, é convertido para TV (cuja proporção é 4:3) quase metade do filme é perdido. Isso quer dizer que quando você aluga Seven em vídeo você vai ver um pouco mais da metade do filme. Um Three, ou no máximo um Four, se você arredondar para cima.

As desculpas para este crime são muitas. No VHS é pela restrição de qualidade da mídia, e dá para entender. Mas em DVD não há perdão. Bons filmes como Homem-Aranha (distribuido pela Comlumbia, aqui no Brasil) e Thomas Crown - A Arte do Crime (distribuido pela Fox) não têm versões em widescreen. Um absurdo.


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Compare Preços: Dirigindo no Escuro, Hollywood Ending



Dogma do Amor

Às vezes não dá para entender porque determinado filme é posto no circuito no Brasil, enquanto alguns bons vão direto para vídeo. Dogma do amor já tinha sido esculhambado por crítica e público durante o último Festival do Rio BR, quando chegou a ganhar o título de “roubada do dia”, durante o evento, pelo jornal O Globo. Deve ter sido o recém oscarizado Sean Penn que deu alguma força a este lançamento tardio.

Pois lá estavam os fortes nomes de Joaquin Phoenix e Sean Penn para dar algum crédito ao filme, e o diretor Thomas Vinterberg que tem o Dogma 95 no currículo. Pensei “crítico de cinema costuma falar besteira sobre ficção cientifica, mesmo”. E fui ver os Ugandenses voadores. Trash.

O filme não é só confuso, ele não faz nenhum sentido. Do ponto de vista científico é um estupro, nada se salva. Essa combinação fatal de equívocos não parece encontrar fãs em lugar nenhum. A única menção positiva ao filme que li pela Internet foi que ele “não era para o cérebro, era para os olhos”. Ah, tá…


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