Tróia

Ao adaptar a Ilíada, Wolfgang Petersen decidiu não envolver os deuses. Mostrar a volubilidade das divindades gregas decidindo os rumos da trama seria adicionar uma enorme complexidade em vários níveis da produção. Para manter a consistência das ações dos personagens a adaptação teve que tomar algumas liberdades – talvez mudando natureza de alguns heróis, mas tornando a história mais realista e humana.

Eric Bana e Orlando Bloom: atuações excelentes
Algumas diferenças saltam à vista. A Ilíada concentra suas atenções na sagacidade de Ulisses, o mais inteligente dos líderes gregos; Tróia focaliza Aquiles, guerreiro invencível e invulnerável – uma máquina de matar. Como toda adaptação, acaba refletindo alguma coisa sobre os valores de nosso tempo.

A grande quantidade de nomes faz o desenvolvimento de alguns personagens ser pequeno. Uma pena ver a riqueza da história de Enéas, fundador de Roma, ser resumida a uma figuração no final do filme. O bom roteiro, que justifica com competência a inocência das superstições de uma época tão remota, fica apertado nas quase três horas de projeção.

Brad Pitt: Aquiles profanoO elenco - o mais estrelado que se conseguiu juntar desde Onze Homens e um Segredo - tem atuações inspiradas, mas a película mostra seus descuidos na pós-produção – em especial na trilha, que, depois de mudanças radicais de última hora, dói os ouvidos. O fato é que depois de um ano de trabalho, Gabriel Yared – autor da trilha vencedora do Oscar por O paciente inglês – foi substituído um mês antes da estréia do filme por James Horner, com quem o diretor já havia trabalho em Mar em fúria. A confusão ocorreu depois que, em uma exibição-teste, o público disse não ter gostado da trilha composta por Yared.

As cenas de batalha, como já era de se esperar, são espetaculares. Além de planos aéreos – tão de longe que a computação gráfica não precisa ser grande coisa – e planos próximos – tão de perto que uma dúzia de figurantes bastam, para encher a tela –, temos um meio termo que mostra o potencial dos efeitos visuais pós Senhor dos Anéis.


Saiba mais informações no IMDB



Avaliação Bonequinho Cego:


Compare Preços: Tróia, Troy



Orgazmo

Alguns filmes são tão loucos que é difícil adivinhar qual o mercado para eles - este fica entre a MTV e o Cine Privé. Tudo bem, talvez seja injustiça, afinal o filme nem tem cenas de nudez. E tem pedigree: Escrito, dirigido e protagonizado por Trey Parker, um dos criadores de South Park, Orgazmo conta a aventura de um mórmon no submundo dos filmes pornô. Só o plot já é motivo suficiente para qualquer fã de Stan, Cartman, Kenny e companhia querer assistir o filme.

Trey Parker, um dos criadores de South ParkLançado sem barulho em 1997, o filme conta com a participação de Ron Jeremy, Jill Kelly, Max Hardcore, entre outras personalidades do cinema pornô (Sim, o IMDB tem os filmes destes astros em seu banco de dados).

A trama não faz nenhum esforço para ser levada a sério, e o baixo orçamento dá um ar ainda mais “B” à produção. As piadas só funcionam para quem gosta de cinema trash, mas o filme não chega a ser tão politicamente incorreto quanto poderia - e por isso mesmo não deverá se tornar um cult absoluto. Algumas frases memoráveis e uma breve discussão sobre a exploração das mulheres pela indústria adulta fazem valer o download. Destaque para Dian Bachar no papel de Choda Boy – uma espécie de Robin do super-herói que dá nome ao filme.


Saiba mais informações no IMDB




Compare Preços: Orgazmo



Identidade

Identidade chega às locadoras brasileiras depois de ganhar um título curioso: o de maior vencedor do ano do Key Art Awards, o “Oscar” dos trailers, pôsteres e divulgações promocionais de filmes, em Hollywood. O filme ganhou os troféus de melhor pôster, melhor pôster de drama, melhor trailer de drama, melhor publicidade na Internet e melhor comercial de TV.

pôster premiadoCuriosidades à parte, a película de James Mangold (diretor de filmes tão diversos - em estilo e qualidade - quanto Garota Interrompida, Cop Land e Kate & Leopold) começa com um clima muito bom: isolados em um hotel de beira de estrada, por causa de uma tempestade, um grupo de pessoas testemunha alguns eventos estranhos. A premissa do isolamento, sempre bem vinda, acaba perdendo a importância no meio de um roteiro que quer surpreender o espectador a qualquer custo.

Alguns novos clichês estão asfixiando a originalidade dos filmes americanos. Perda de memória recente (Amnésia, Procurando Nemo, Como se fosse a primeira vez), assassinos do além (O Chamado, Na companhia do medo, etc), entre outras saídas “espertas” para idéias ruins, já estão tão previsíveis quanto qualquer mordomo culpado.


Saiba mais informações no IMDB



Avaliação Bonequinho Cego:


Compare Preços: Identidade, Identity



Duplex

Muito criticado mesmo antes de chegar ao Brasil, Duplex, dirigido por Danny DeVito e estrelado por Ben Stiller e Drew Barrymore, se revela uma comédia divertida, sem pretensões.

No filme, Barrymore e Stiler vivem um casal que decide comprar sua casa própria, mas por motivos legais precisam conviver com uma inquilina que começa a perturbar suas vidas. O problema é potencializado pelo fato do personagem de Stiler ser um escritor que trabalha em casa. Os atores fazem um bom trabalho, mas isso todo mundo já esperava.

Stiler e Barrymore: bons atores em comédia de DeVito
O tema, de cara, nos envolve e nos faz acreditar nas situações e reações dos personagens. Sem muita criatividade para manter as piadas inteligentes e sutis que encabeçam o longa, DeVito acaba recorrendo à escatologia que virou moda nas comédias americanas. Alguns exageros funcionam, mas comprometem a elegância do filme.

Ponto para DeVito, que mostra habilidade em retratar e dirigir a inquilina idosa, na pele da desconhecida Eileen Essel. Será um talento especial para dirigir atores idosos?


Saiba mais informações no IMDB



Avaliação Bonequinho Cego:


Compare Preços: Duplex



Van Helsing – o caçador de monstros

Imagine um filme ruim. Muito ruim mesmo, tipo Plano 9 do espaço sideral. Van Helsing entra para o hall dos filmes mais trash feitos nos últimos tempos. E até o meio do filme a gente fica na dúvida: foi de propósito? Só pode ter sido.

Kate Beckinsale não troca de roupa durante o filmeEm vários níveis ele é uma bomba. O roteiro, que começa com uma estrutura de filme de James Bond (herói numa cena de ação inicial; herói recebe uma missão; herói recebe as armas; herói parte para investigação), parece ter sido rascunhado em 20 minutos. Além de ter uma coleção interminável de clichês, nos brinda com momentos inacreditáveis – notoriamente: Kate BeckinsaleEu nunca vi o mar… deve ser lindo” (???); Hugh JackmanQuem está caçando quem?” (!!!) e “Vamos fazer a troca num lugar público” (???).

A trilha sonora, que quando é só ruinzinha a gente nem costuma notar, incomoda, fazendo suspense em momentos dramáticos e caricaturando ainda mais a ação que é pra lá de absurda. O desenvolvimento da trama e dos personagens é tão descuidado que os atores – alguns bons atores – nem têm como mostrar serviço.

Drácula, que imaginava que fosse cantar “Like a Virgin” a qualquer momento, tem noivas que parecem chacretes, fazendo coreografias (hilárias) o tempo todo. O Lobisomen… bem, eu preferia o estilo de Michael J. Fox em O garoto do futuro. Frankenstein, que me lembrava o Jovem Frankenstein de Mel Brooks, só não sapateia. Verdadeiramente um horror.

Se você não é amante de filmes trash, ou simplesmente não está com bom humor, passe longe deste filme.


Saiba mais informações no IMDB



Avaliação Bonequinho Cego:


Compare Preços: Van Helsing