Leis da atração

Apesar de ter um plot bem parecido com o de O amor custa caro, dos irmãos Coen, Leis da Atração segue um caminho bem diferente. Ganha em elegância, perde em originalidade. Os créditos iniciais lembram os de Thomas Crown - A Arte do Crime, e o filme começa arrancando boa vontade do público.

O diretor Peter Howitt, que já tem Johnny English e Ameaça Virtual no currículo (sim, aquele do Bill Gates e do gergelim), parece estar se especializando em filmes, digamos… despretensiosos. Mas a despretensão tem o pedigree de bons atores e a química entre Pierce Brosnan e Julianne Moore define a qualidade do filme.

O roteiro parece ter sido escrito de uma vez só, num exercício de livre associação; segue caminhos inusitados, mas não chega a ser genial. É uma bobagem, mas uma bobagem sincera e estilosa – o que já é mais do que se espera desse tipo de filme.


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Cazuza - O tempo não pára

Ícone do Rock and Roll nacional, Cazuza bem que merecia um filme melhorzinho para contar sua vida. Precisamos culpar os diretores Walter Carvalho e Sandra Werneck pela falta de sensibilidade. A “vida louca, vida breve” do cantor é relatada com olhos caretas.

Daniel de Oliveira: atração de circoOs amigos de Cazuza são figurantes, impressão que se agrava pela falta de um bom roteiro. Cazuza parece imaturo e vazio - impressão que só não arrasa o filme completamente por causa das músicas e das reconstituições dos shows. A família, que aparece mais, não ajuda a melhorar o filme. Reginaldo Farias, canastrão por natureza, está pior do que em novela. Marieta Severo também força um pouco a barra, mas tem boas falas. Além do protagonista, a única atuação que chama a atenção positivamente é a de Andréa Beltrão que parece improvisar bem.

Com tantos defeitos, o filme não parece sincero. E sem sinceridade, a atuação mediúnica de Daniel de Oliveira acaba servindo só para a curiosidade macabra dos espectadores que vêem Cazuza definhado como se fosse atração de circo.


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Monster – fúria assassina

Em tempos que os documentários mais premiados do cinema são os que deixam a imparcialidade de lado, é no mínimo curioso que um longa metragem dramático sobre uma serial killer condenada a morte seja levado com isenção às telas.

Ricci e Theron: filme deprêE Monster não é abstrato como Elefante. A diretora Patty Jenkins tenta, corajosamente, contar um pouco da vida de Aileen, personagem de Charlize Theron, de maneira a explicar seus atos. Funciona. A personagem parece começar a matar por uma fatalidade, mas, aos poucos, cruza a própria linha moral.

A atuação (incorporação!) oscarizada de Theron é impressionante; mas é forte a impressão de que sem a ajuda da talentosa Christina Ricci o conjunto poderia não ser tão bom. O filme tem uma edição simples (pelo menos para os mais acostumados com malabarismos da montagem da série 24 horas) e uma trilha sonora discreta – às vezes o silêncio incomoda. É o tipo de programa que não se recomenda para um domingo à noite. Nem é preciso parar pra pensar muito pra sair do cinema com a impressão de que o mundo é um lugar horroroso. Deprê.


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Shrek 2

Na crítica de Harry Potter o Bonequinho havia falado que bons filmes infantis acabavam divertindo também os adultos. A um dia da estréia de Shrek 2 no Brasil, era o ogro verde que estava influenciando o texto.

Três anos depois da primeira produção ter estreado – desbancando a Disney e seu Monstros S.A. tanto na bilheteria quanto no Oscar –, Shrek ganhou o público mostrando o que a concorrência de orelhas grandes chamaria de “politicamente incorreto”. Princesas arrotando, matando passarinhos e saqueando ninhos… e mais de 455 milhões de dólares nos bolsos dos produtores.

Antonio Banderas: Gato de botas fazendo cenaCom tanto dinheiro em caixa, não é de estranhar que tantos nomes famosos se envolvam com a continuação. Shrek 2 tem mesma fórmula vencedora do primeiro e não decepciona. A animação – hilária – tem uma quantidade enorme de referências a filmes e contos de fadas cuidadosamente colocadas em torno de um roteiro que desenvolve os personagens e não deixa brechas. Quando surge algum clichê o filme trata logo de fazer uma auto-crítica escrachada.

Tecnicamente impecável (a cena de chuva que mostra os pelos molhados dos personagens é impressionante) o filme só mostra alguma preguiça quando toca músicas manjadas só pra empolgar o espectador. Mas até isso funciona muito bem.


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Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban

A demora para esta crítica sair não foi à toa. O bonequinho confessa um certo preconceito com o bruxinho. Não que seus filmes sejam exatamente ruins, mas os recordes de bilheteria quebrados pela série não são justificados pela sua qualidade. No meio de tantas animações infantis que agradam adultos, Harry Potter decepciona.

História de criança: Alan Rickman protege seus pupilos do lobo mau.Tentando ser isento, ver o filme não foi uma experiência tão traumática assim. O prisioneiro de Azkaban é sem duvida o filme mais visualmente impressionante da série. Não só nos efeitos – bem justificados – mas também na estética sombria da fotografia. Os personagens crescem juntos com os atores e este conceito é muito legal.

Os atores, aliás, são outro ponto forte do filme. Ao mesmo tempo em que é legal ver gente famosa fazendo pontas, dá pena ver Alan Rickman em apenas três cenas.

E mesmo sem saber que o homem mais oscarizado de todos os tempos estava na produção, o bonequinho se impressionou com a trilha sonora. Só nos créditos finais que a lâmpada acendeu: John Williams também havia trabalhado nos dois últimos filmes. Já o roteiro – por culpa das saídas fáceis da história – não engana nem o público alvo, as crianças.

O diretor Alfonso Cuarón disse em entrevista à SET que apesar de ter aceitado fazer Harry Potter porque queria ter no currículo um trabalho leve, se surpreendeu com a complexidade e as várias camadas do livro de
J. K. Rowling. Exagero. Quem passa tanto tempo trabalhando com um livro assim acaba enxergando profundidade em qualquer banheira rasa.


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Avaliação Bonequinho Cego:


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