Espartano

A direção de David Mamet é um selo de qualidade. Ele sempre trabalha com um bom roteiro. E faz questão de ressaltar nas suas aulas e livros que é na pré-produção que se decide a qualidade do filme. A filmagem em si é mero detalhe.

Val Kilmer: interpreta o agente Fugindo de todos os clichês, Mamet apresenta Val Kilmer no papel de um agente do serviço secreto americano que investiga, em regime de urgência, um caso que envolve a filha do presidente dos EUA – sem nunca dizer que se trata da “filha do presidente do EUA”. Além de uma estrutura que nunca subestima a inteligência do espectador, Mamet dá um brinde aos seus fãs exemplificando literalmente os três usos da faca que prega em seus livros de “filosofia dramática”.

Com uma fotografia estilosa, que mostra as luzes difratando horizontalmente, o diretor só nos faz sentir falta de situações mais épicas, que caberiam – e empolgariam muito – num filme com um tema tão ambicioso.

“Talento não existe; você só precisa trabalhar o suficiente” – David Mamet


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Efeito borboleta

O primeiro ator a interpretar Marty McFly nas filmagens de De Volta Para o Futuro não foi Michael J. Fox. Antes de pegá-lo emprestado da série Caras e Caretas no período da noite, Robert Zemeckis havia contratado Eric Stoltz. Como o ator não soube passar o “tipo de humor” que o diretor queria, foi demitido. Agora, finalmente, Stoltz participa de um filme que trata do mesmo assunto. E durante as filmagens de Efeito borboleta ele deve ter pensado que sua carreira poderia ter sido bem diferente se houvesse participado do filme de Zemeckis.

Sutileza: efeito.... borboleta?Efeito borboletateoria do caos: num mundo fisicamente determinístico o bater de asas de uma borboleta pode afetar a meteorologia do outro lado do mundo – trata dos efeitos que pequenas alterações no passado têm sobre o futuro. Ashton Kutcher deixa o papel de abobalhado pela primeira vez e interpreta um garoto que, apesar (ou por causa de) alguns problemas de memória, é o único que cresce saudável entre seus amigos de infância. Anos depois descobre que pode fazer algumas alterações no passado e começa a usar isso para consertar a vidas das pessoas a sua volta.

A ótima premissa é afetada pela falta de sutileza. O efeito borboleta, às vezes é efeito porrete, mesmo. Os futuros alternativos são muito óbvios e, apesar do filme tratar de certos assuntos que são tabus para o cinema ianque, quando os créditos sobem fica um gosto de “estragaram uma boa idéia”.

Não por acaso os diretores deste longa são os mesmo de Premonição 2 – franquia que, para o Bonequinho Cego, é benchmark de bom argumento mal aproveitado.


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Submersos

É difícil experimentar um suspense sofisticado. Normalmente os diretores preferem nos dar mastigadas todas as explicações sobre o oculto – mesmo que elas sejam absurdas. Bons cineastas sabem que é fácil cair no ridículo quando se mostra qualquer coisa fantástica, então não mostram muito.

Bruce Greenwood: clima de submarinoDavid Twohy tem o dom de saber o que mostrar. Não só na trama - que também recebeu o toque de Darren Aronofsky, diretor dos ótimos Pi e Réquiem por um sonho -, mas também nos efeitos visuais, que, apesar de pobres, servem bem aos propósitos do filme. O clima tenso e claustrofóbico do submarino nos envolve o tempo todo, e o desenrolar dos acontecimentos é gostoso mesmo quando a gente antevê o final.

Eclipse Mortal não foi uma exceção. Twohy entra para a lista de diretores que nos fazem esperar ansiosamente pelo seus próximos trabalhos. O bonequinho fica ainda mais curioso para conferir sua nova empreitada, A Batalha de Riddick.


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O outro lado da rua

Estreante na direção, Marcos Bernstein conseguiu convencer dois gigantes a fazer parte de seu filme. Fernanda Montenegro e Raul Cortez poderiam ser filmados contra um fundo branco que, com um bom roteiro, o filme daria certo.

Fernanda Montenegro: contra um fundo azulE Bernstein tinha um bom roteiro. Além da experiência como escritor em produções como Terra Estrangeira, Central do Brasil e O Xangô de Baker Street, seu script passou pelo laboratório de Sundance e mostra seriedade em cada diálogo. Mas o cuidado da pré-produção parece não ter sido mantido nas etapas seguintes.

A direção não é segura e isso é evidente na edição. Além do ritmo irregular – não é preciso ser chato pra mostrar que a vida de uma aposentada é chata –, a parte da história em que Camargo descobre que Regina o espreitava pela janela é completamente confusa. O resultado é que a oportunidade de fazer uma obra-prima é jogada pela janela e o que sobra é só um filme que só entretém.


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