O Justiceiro

Hoje em dia, com toda essa moda de adaptação de quadrinhos, ninguém lembra das porcarias que faziam há uns 15 anos. Em 1989 uma versão chinfim de O Justiceiro chegava às telas estrelada por Dolph Lundgren, o Drago de Rocky IV. Nenhuma surpresa; os bons filmes de super-heróis (como Superman de 1978 e Batman de 1989) é que eram as exceções. Filmes como O Justiceiro saiam a toda hora – Captão America de 1991, Quarteto Fantástico de 1994 (esse último nem foi lançado oficialmente, de tão ruim, mas acha-se na Internet).

Ele acreditava no sistema.Houve uma evolução evidente da visão dos donos do dinheiro sobre essas produções. X-Men, Homem-Aranha. Mais grana foi investida, melhores diretores foram contratados. Ainda assim, infelizmente, vez por outra os direitos autorais de um bom personagem acabam caindo em mãos erradas.

Nas patas de um diretor estreante e na pele de um ator desconhecido, um dos personagens mais durões da Marvel – um herói mau e sem poderes – rende um filme sem violência, sem sangue, sem graça. Apesar de alguns detalhes legais (a chacina na casa de praia e a morte à la Mad Max no píer) todo o conceito de fazer um filme para a família foi equivocado. Isso funciona com Super-Homens e Aranhas, mas não com Demolidores e Justiceiros. A idéia de colocar Frank Castle no meio de vizinhos que servem como alívio cômico é digna de pena de morte (BANG!, o Bonequinho atira). Bryan Singer – que talvez seja o diretor da nova versão de 200 milhões de dólares de Super-Homem – provou com X-Men que um orçamento baixo pode render um bom filme de super-herói. Não há desculpas.


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Brilho eterno de uma mente sem lembrança

De vez em quando a gente se pergunta quando vai assistir a outro breakthrough dos roteiros, outra mudança radical na construção dos filmes. Chegou a hora. Assim como Pulp Fiction fez com a estrutura recortada, Brilho eterno consolida a associação psicológica dos acontecimentos na maneira de escrever filmes. Esqueçam Bergman – não é a mesma coisa. Este é ágil e divertido.

Brilho eterno de uma mente sem lembrançaE os meritos não são de um autor, mas dois: o diretor e Michel Gondry o roteirista Charlie Kauffman. Como é que Kauffman faz essa obsessão pela mente, engarrafada em filmes loucos, funcionar sistematicamente tão bem nas telas? É muito impressionante que ele e o diretor saibam que um roteiro tão insano vá gerar um resultado tão bom. Como é que investem dinheiro nessa loucura toda? Coisa de gênios em fina sintonia.

E é esta sensibilidade que impressiona. O filme não é melodramático falando de amor nem atrapalhado falando de ciência. Tem sempre o tom certo e um descaso elegante com a complexidade que não ajuda a história a andar. É até triste comparar Brilho eterno com O Pagamento, de John Woo, que quando trata do mesmo assunto – apagar a memória de alguém – causa até constrangimento para os minimamente exigentes com a verosimilhança do roteiro.

O elenco – uma constelação que não foi boba e aceitou trabalhar por menos pra fazer parte da história do cinema – brilha, e quem ainda não acredita em Jim Carrey, tem mais uma chance de conferir que ele não faz só comédia. Kate Winslet está irreconhecível e os coadjuvantes (Elijah Wood, Kirsten Dunst etc), ótimos. Todos eles essenciais para o filme.


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Com as próprias mãos

Este é um daqueles filmes americanos do dedo do pé até o último fio de cabelo. Um western moderno, que até tem um bom enredo e poderia até ter virado um grande filme de ação se tivesse sido colocado em mãos mais ambiciosas. O diretor Kevin Bray decidiu manter as coisas simples. Ou simplórias.

The Rock: Tudo é baseado numa história real de um tal Buford Pusser, que foi xerife no sul do Tennessee. O sujeito foi baleado oito vezes tomou sete facadas e sobreviveu a uma emboscada. Nada disso – nem mesmo o nome do xerife – foi aproveitado pelo filme. Mas não importa. Quem quiser saber essa história pode ver o Walking Tall original de 1973 – filme muito mais sangrento e que teve o próprio Pusser como consultor.

Aqui o que importa é ver “The Rock” em ação. Se não fosse pelo carisma de Dwayne Johnson o filme seria inaproveitável, mas, graças a ele, é legal ver os bandidos apanharem. E ao lado dele o improvável Johnny Knoxville faz um papel que parece ter sido encomendado. Aproveitando a sua imagem de Jackass ele interpreta o amigo franzino que serve de alívio cômico. Filme de Tela Quente.


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Jogo de Sedução

Se você entra no cinema achando que vai ver um romance ruim e vê uma aventura ruim você sai satisfeito? Tem gente que sai. Só pode ser este o motivo do sucesso desse “pingo no i” em Sundance 2003: Apesar de nada original, é completamente diferente do que se espera.

Natalia Verbeke numa fotografia brasileiraTudo bem… Em um festival de cinema, no meio de um monte de lixo experimental, a direção de Jogo de Sedução pode se destacar pela ambição. Mas talvez seja só pretensão.

O elenco de atores em ascensão, maior trunfo do diretor estreante Matthew Parkhill, inclui Gael García Bernal (Diários de Motocicleta), Natalia Verbeke (O Outro Lado da Cama) e James D’Arcy (Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo) – três nomes que entraram em destaque logo depois desta produção.

Pra quem ainda se animar em ver o filme, atenção na elogiada fotografia de Affonso Beato, brasileiro que já trabalha há algum tempo capturando as cores dos filmes de Almodóvar.


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A Batalha de Riddick

Ninguém mais do que eu queria que A Batalha de Riddick fosse um filmão. Depois de ficar fã do diretor com Submersos e colocar Eclipse Mortal na lista das melhores ficções de baixo orçamento do cinema, esperava que a primeira superprodução de David Twohy tivesse, no mínimo, originalidade. Parece que a insegurança tomou conta do cineasta e no meio de preocupações com efeitos épicos e um monte de figurantes ele acabou esquecendo do resultado final.

Vin Diesel olhando a besteira que fezToda aquela história de que o filme seria um “Guerra nas Estrelas do mal” era mentira. O filme tenta ser cool e, coitado, Vin Diesel sozinho não faz esse milagre. Simplesmente não há espaço para todas as frases de efeito do roteiro. Mas não é só o brutamontes que paga mico: a direção de atores está tão ruim que até Judi Dench parece não saber o que faz.

Mas tudo isso ainda é eclipsado pela direção de arte… Ah, a direção de arte! Eu aposto que o nome de um dos três diretores de arte é um pseudônimo do Joãozinho Trinta. Não bastasse que os vilões tivessem o nome horroroso de “Necromonges” – aliás, todos os nomes do filme são ridículos –, os seus figurinos são patéticos! O desenho das naves também é patético! É tudo de mau gosto!

Enfim, o mundo seria melhor se esse filme não fosse feito. Twohy estragou uma franquia com um grande potencial e Vin Diesel está numa maré de filmes ruins que parece não acabar (Ele já teve uma maré boa?). Espero que o seu anunciado Hannibal, sobre o general que atravessou os Alpes com um exército de elefantes para atacar Roma, me surpreenda positivamente.


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