Meninas Malvadas

Com uma estrutura igual ao de uma comédia teenager qualquer, o novo filme de Mark S. Waters (do recente Sexta-Feira Muito Louca) surpreende pelo cérebro. Ao contrário dos besteiróis enlatados que de vez em quando desafiam nossa paciência, Meninas Malvadas explora o aspecto antropológico das relações entre as garotas de uma High School americana.

Feitas de plástico: indício de uma sociedade doente?
Parando para pensar em como um American Pie é visto aos olhos de indianos, chineses ou mesmo japoneses a gente entende como esse tipo de filme é frívolo. Pré-adolescentes comuns preocupadas com dieta, maquiagem e popularidade parecem mesmo sintoma de uma sociedade doente.

Com consciência do risco de cair no ridículo, a história compara as jovens às tribos africanas e animais. Analisa cada aspecto das disputas fúteis e redime as personagens e a nação que as formou, mostrando o quanto tudo aquilo é visceral, instintivo, natural.

O roteiro foi inspirado em uma pesquisa publicada no formato de um livro - escrito por Rosalind Wiseman -, que realmente compara os papéis de animais em suas sociedades aos estereótipos das garotas no colégio. Tem pedigree científico. Na tela, os atores elevam a qualidade do filme - Lindsay Lohan brinca com o público alternando entre simpática e antipática –, mas são a originalidade e a visão que fazem a diferença.


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Starsky & Hutch: justiça em dobro

O novo filme de Todd Phillips, diretor de Caindo na Estrada – excelente bobeira sobre estudantes americanos –, é exatamente o que sua avaliação no IMDB faz parecer: medíocre.

Starsky, Hutch, Starsky e Hutch: Familia feliz.Adaptar uma série dos anos 70 não parece promissor, mas a idéia de preservar os aspectos da época, fazendo o que Austin Powers fez com os anos 60, é muito boa. Uma pena que não seja só de bons conceitos que se faz um filme. Os roteiristas (o diretor é creditado como um dos roteiristas) não estavam inspirados e, apesar de algumas situações engraçadinhas, o filme não convence.

Ben Stiller e Owen Wilson – que já tinham feito o também medíocre Zoolander – repetem a performance. A novidade é que, graças a uma participação especial dos atores da série original, podemos ver que a caracterização foi bem feita. Os comediantes imitam bem os personagens originais.

Além do mais, os donos do dinheiro parecem ter gostado. O próximo projeto de Phillips é uma versão para o cinema da série O Homem de Seis Milhões de Dólares, estrelada por Jim Carrey! O tom de comédia – é claro – continua. Isso confirma uma tendência das produções de Hollywood. Parece que As Panteras de Drew Barrymore inventaram moda.


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Escola de rock

O Bonequinho estava esperando um especialista em música para falar desse filme. Mas quer saber? Mesmo pra quem não sabe a diferença entre punk e trash-metal Escola de Rock é legal. Empolga e rende boas risadas.

Black: Aula de rock
O filme conta como o guitarrista Dewey Finn, frustrado depois de ser expulso da banda que ele mesmo reuniu, arranja um trabalho como professor substituto numa escola primária. Ele se empolga quando descobre que seus alunos conseguem tocar e organiza a pirralhada num conjunto que é batizado de… Escola de Rock.

Richard Linklater – diretor cultuado pela sensibilidade e responsável por inovações tecnológicas no ótimo Waking Life – sabia o que tinha na mão: Garotos talentosos e Jack Black inspirado. Mas não parece um trabalho de direção: o resultado final depende quase totalmente do talento de Jack Black – que também é um aficionado em rock and roll. Quem se lembra com saudades do seu papel em Alta Fidelidade vai ao delírio.


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Homem-aranha 2

Não se enganem, Homem-Aranha 2 é um filme de Sam Raimi. Se no primeiro o que irritava era o merchandising da Sony e a roupa “estilo Jaspion” do Duende Verde, os problemas acabaram! Aparentemente com muita liberdade, o diretor resolveu fazer um filme sobre Peter Parker e seus problemas.

Homem-Aranha 2: Fantástico e não farsaQuando Corpo Fechado estreou no cinema vimos que um filme de super-herói pode precisar de muito tempo de cenas íntimas para fabricar uma cena de ação realmente empolgante. Entender isso é o trunfo do diretor. Sem pressa, ele passeia cuidadosamente por cada personagem, deixando todos eles mais reais e mais complexos do que em qualquer gibi.

Várias cenas do filme já nasceram para virar referência: A luta no trem tem a melhor conclusão de todos os tempos num filme do gênero. A do hospital é 100% Raimi, referência ao trash no estilo de Evil Dead (e não aos quadrinhos, como dizem por aí). A cena do elevador é genial, hilária e corajosamente longa.

De um modo geral é tudo tão diferente do que se espera de um filme comercial que é difícil acreditar que a maioria do público vá gostar. Grande acerto! A produção é inteligente e não subestima a capacidade do espectador de entender o novo conceito.


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Avaliação Bonequinho Cego:


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Matadores de velhinha

Para quem gosta dos Irmãos Coen esta comédia é um prato cheio. Estão lá todos os ingredientes que fazem a gente sacar que a produção é dos autores: personagens com tiques, músicas peculiares (desta vez o gospel) e o humor ácido.

Tom Hanks com complexo de Moriarty: onde está o Sherlock?Joel e Ethan Coen estão seguindo os passos de seu velho amigo Sam Raimi – com quem trabalharam no cult Evil Dead. Enquanto este já aposta suas fichas em superproduções – como a que estréia esta semana –, os dois estão fazendo filmes cada vez mais comerciais. Depois do empolgante e engraçado E aí meu irmão cadê você? e do noir cínico O homem que não estava lá, os irmãos lançaram O amor custa caro – que só não foi mais popular no Brasil por ter sido lançado na mesma época que Simplesmente amor, melhor água-com-açúcar dos últimos tempos.

Nesta refilmagem de Ladykillers de 1955, Tom Hanks faz o papel do Professor G.H. Dorr, um bandido com cacoetes eruditos que bola um plano para assaltar o cofre de um cassino flutuante. O plano envolve alugar um quarto na casa de uma velhinha. E é daí que surgem os problemas.

Apesar da semelhança com o plot do filme Trapaceiros de Woody Allen, o humor deste é bem mais visual. Além da conversa mole de Tom Hanks, o filme usa a repetição de situações e personagens frustrados no estilo coiote-corre-atrás-do-papa-léguas dos desenhos animados de Chuck Jones. Diversão de qualidade.


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Avaliação Bonequinho Cego:


Compare Preços: Matadores de velhinha, Lady Killers