Terminal foi um dos poucos filmes de Steven Spielberg que deu prejuízo. O que isso quer dizer?

Quer dizer que Spielberg está numa das fases mais produtivas de sua vida (ter filmes dele em cartaz não é novidade para o público). Quer dizer que ele resolveu arriscar a fazer comédia de novo (depois de algumas piadas bem sucedidas em Prenda-me se for capaz). Quer dizer que ele não está preocupado em agradar (porque se estivesse o filme ia ser um sucesso com 100% de certeza).

Isso mesmo! É o Pagoda dos Todas essas noticias são boas, mas Terminal não é bom. Mas também não é ruim.

Spielberg nasceu com a câmera na mão – o cara filma desde que começou a andar –, então é humanamente impossível que seus filmes sejam completamente ruins. Sempre tem um toque de gênio. Sempre.

Desta vez ele faz uma sessão da tarde baseada (bem de longe) na vida de um iraniano que ficou preso no aeroporto de Paris e resolveu ficar por lá mesmo (e está lá até hoje). Espere sair em vídeo e veja num domingo de chuva.


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Supremacia Bourne

O Jason Bourne de Supremacia Bourne é tudo que as gerações pós Sean Connery de 007 gostariam de ser.

Roger Moore, por exemplo, deu um tom de comédia aos filmes do espião - e não é pra menos: todo mundo sabe que depois do final da guerra fria James Bond se embananou pra achar novos inimigos; a cada dois anos ele tinha que impedir um supervilão megalomaníaco de dominar o mundo. Não dava pra não virar comédia.

Bourne: Homem mauMas não precisava ser assim. Paul Greengrass provou que filmes de espionagem podem ser atuais e minimamente realistas sem entediar o espectador. Jason Bourne é um herói e pra isso não precisa nos fazer de bobos. Ele improvisa, se machuca e mata a sangue frio.

O espectador vê com os próprios olhos cada um dos seus truques – óbvios só depois que a gente aprende como se faz. Num roteiro com cérebro as perseguições de carro mais empolgantes dos últimos anos têm sabor especial. E todas filmadas no cenário mais legal do mundo – a Europa. Nem dá pra acreditar que tem dinheiro americano nisso.


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Colateral

Sempre que Michael Mann retorna ao gênero policial – que lhe redeu fama nas telinhas com o seriado Miami Vice – temos uma boa surpresa. Fogo contra fogo é uma dos melhores filmes policiais que já vi. Denso, sensível, inteligente e grandioso.

Colateral também é um filme ambicioso: o plot do filme – “Assassino de aluguel seqüestra um taxista e o obriga a levá-lo a diversos lugares de Los Angeles” – não teria nada demais se não fosse por um detalhe: o assassino é Tom Cruise.

Fotografia digital: impecável
O bom moço do cinema americano já tinha trabalhado com muitos dos melhores diretores do seu tempo: Spielberg, Kubrick, John Woo, Cameron Crowe, Tony Scott, Oliver Stone, P. T. Anderson, Martin Scorsese… Uma lista invejável. Mas só Michael Mann ofereceu a ele o que ele nunca teve: o papel de homem mal.

E essa foi melhor interpretação da vida de Tom Cruise (ganhando até de Magnólia).

O filme tem uma fotografia tecnicamente invejável; e mesmo com um roteiro que não surpreende, faz qualquer um adorar uma ida ao cinema.


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A vila

Pelo menos no Brasil, a única unanimidade de Shyamalan é o Sexto Sentido. Todos os seus outros filmes têm sua qualidade questionada: dizem que são chatos, lentos… ou que “a surpresa no final nem foi tão legal assim“.

Shyamalan: a verdadeira estrela do filme.O bonequinho vai começar a rasgar seda: eu adoro Shyamalan. Não desde o Sexto Sentido, mas desde Corpo Fechado. Acho que é um dos maiores (senão o maior) diretor dos últimos anos. E excelente escritor; seus filmes não têm sobras – toda cena é necessária e repensada várias vezes.

A Vila é sua obra mais complicada – tem mais personagens relevantes do que todos os seus outros filmes juntos. É atual com roupas do século XIX, sensível sem mostrar nenhum beijo (só mãos dadas), assustador só com cores.

As atuações são impecáveis, e todos os personagens – mesmo os mais coadjuvantes – têm mais complexidade do que os protagonistas de mil Titanics. Uma aula de direção de câmera e de atores. Ele ainda nos brinda com uma aparição à la Hitchcock no final do filme – no reflexo do vidro, uma de suas assinaturas.


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Super size me - a dieta do palhaço

Poucas vezes a criatividade do tradutor é tão feliz quanto no trocadilho do subtítulo deste documentário. Morgan Spurlock, autor do filme, é tão ou mais palhaço que Ronald McDonald. Uma mistura de Michael Moore com Johnny Knoxville – ele faz as perguntas constrangedoras de Moore e usa a auto-flagelação de Knoxville como arma.

Responda rápido: quem é o palhaço?Esse encontro de Tiros em Columbine com Jackass é divertido, mas tem um tom amador demais pra ser levado a sério. Vários testemunhos sobre a saúde de Morgan são dados por ele mesmo e por sua namorada, sem absolutamente nenhuma base científica. O clínico geral, um dos médicos contratados para cuidar de Spurlock, é uma versão sem bigode de Saddam Hussein na época de sua captura – não impõe nenhum respeito.

Se eu duvido que comer no McDonald’s faça mal? Não duvidava mesmo antes de assistir ao filme. Mas as lanchonetes devem ser responsabilizadas criminalmente pelas mortes causadas em longo prazo pela sua comida? Não conheço ninguém que tenha se convencido de que isso é razoável. Michael Moore sempre nos convence. Spurlock nem isso consegue.


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