Meu tio matou um cara

Jorge Furtado é um bom roteirista. Faz filmes divertidos, do tipo que ele mesmo gostaria de ver quando vai ao cinema. E ainda tem alguma coisa de Tarantino quando põe seus personagens para conversar.

Meu tio matou um cara é um exercício dos estilos que ele criou nos seus últimos longas. Uma história policial que cativa e um romance adolescente tratado com respeito (nada de Puppy Love!).

Lázaro Ramos: 'Ahhh!'O que Jorge Furtado não é, é um bom diretor de atores. Apesar de ter um bom time – alguém duvida do talento de Lázaro Ramos, por exemplo? – os primeiros minutos deste filme dão medo: parece que nem houve ensaio! Os atores cospem as falas sem nenhuma expressão. Não entendam errado, eu sei que Furtado queria colocar o tom sério e introspectivo dos personagens de Peanuts em seus garotos. Não é isso. As atuações estavam um lixo, mesmo! Mas graças ao bom (e brasileiro) Deus, as coisas começam a melhorar e esta primeira impressão se dilui com o passar do filme.

A impressão final do filme é bastante boa. Ele é divertido e despretensioso. Exatamente o estilo que o cinema brasileiro precisa para continuar levando gente para as salas.


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Doze homens e outro segredo

Um dos fatores essenciais para um filme de sucesso ter uma continuação é quanto os atores se divertiram fazendo o filme. Um profissional que ganha 10 milhões de dólares por trabalho se sente no direito de não aceitar ambientes chatos. Grandes diretores de hoje – Peter Jackson, Brian Singer etc – tem talento para criar um clima familiar no SET.

Décima segundaCom a ajuda de seu amigo – e sócio – George Clooney, Steven Soderbergh conseguiu a façanha de colocar uma constelação de atores para trabalhar por quase nada, em 2001. Todos se divertiram e o (bom) filme fez sucesso.

Esta inevitável continuação da brincadeira não é exatamente pop. O ritmo da nova aventura de Daniel Ocean é o que Soderbergh usa em seus filmes mais pessoais (Full Frontal, O Estranho). O lado bom disso é que o filme não tem cara de continuação – não no sentido tradicional de “mais do mesmo”. O lado ruim… bem, o lado ruim é que Doze homens e outro segredo não é um bom filme.

Parece que o clima de brincadeira afetou os miolos de Soderbergh, que escreveu um roteiro pobre, confuso, cheio de buracos. (A brincadeira metalingüística com Julia Roberts é um desastre!) É preciso se esforçar para fazer um filme ruim sobre ladrões.

Mas se você gostou deste filme, experimente ver The Good Thief (de Neil Jordan) – este sim com a cara de independente e o clima europeu que Soderbergh quis criar.


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Os incríveis

Quatro anos. Esse é o tempo que a Pixar leva para produzir cada uma de suas animações. E cada dia vale o trabalho. Este é melhor filme (isso mesmo, filme, não precisava nem ser uma animação) do estúdio criado sob a asa de George Lucas.

Incrível! Ou f4ntástico? ;-)
Já sabíamos que a habilidade da Pixar não era técnica desde Toy Story. Testemunhamos comédias infantis se transformando, aos poucos, em grandes filmes. Procurando Nemo, que concorreu ao Oscar de roteiro original foi só o último exemplo do estava por vir.

Brad Bird, diretor desta obra-prima – que dá arrepios de emoção em qualquer amante de HQ, com referências aos mundos da Marvel, DC e até Alan Moore – não fez uma animação nada infantil. É um filme para toda família, mas alguns detalhes não podem passar em branco: É o primeiro longa da Pixar que não tem censura livre (nos EUA); Não é uma comédia, mas uma aventura; E… você viu alguma canção no meio do filme? Eu não. Pois é, Bird se livrou da obrigação de colocar uma musica para concorrer àquele Oscar de canção, que as animações adoram, e tranformou o ritmo do filme.

Depois de estar concorrendo ao Globo de Ouro de melhor filme (na categoria Comédia/Musical) arrisco dizer que Os Incríveis é um ótimo candidato ao Oscar de melhor filme do ano.


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