300
por Bruno Oliveira
Sou da época do boom de vendas das histórias do Homem-Aranha com o Todd McFarlane. Eu realmente ficava empolgado com os quadrinhos, mas eu gostava do Homem-Aranha, não do McFarlane. Admitia, claro, que alguns desenhistas eram melhores do que outros - sempre comparando o realismo dos desenhos - e Alex Ross era um monstro sagrado, independente dos seus roteiros.
Anos depois, numa idade que já ficamos constrangidos de comprar gibis numa banca de jornal, comecei a reler alguns clássicos, agora reparando nos seus autores. Fui experimentando outros gêneros com Art Spiegelman, Scott McCloud (um divisor de águas para minha cultura), Allan Moore, Frank Miller… Vamos parar nele.
300 não é a melhor obra de Frank Miller, mas tem uma estrutura sólida. A história de Leônidas nas Termópilas é emocionante, empolgante e atemporal. Miller colocou estilo.
Como deveria ser em qualquer adaptaçao, Zack Snider somou seu talento às outras camadas de talentosas interpretações que a história dos 300 de esparta teve durante mais de 2000 anos. A personalidade da visão de Miller prevalesceu e seu estilo cartunesco combina perfeitamente com a visão o diretor de Madrugada dos Mortos.
Ao contrário de Capitão Sky e o Mundo de Amanhã - outro filme totalmente desenhado em CGI -, cada frame artisticamente pensado faz a história crescer. Todos os atores, com destaque para Gerald Butler, entregam uma atuação verossímil num mundo de gigantes e lobos com olhos que brilham. Os coadjuvantes são excelentes e saltam aos olhos em cada frase de efeito, mas sem nunca tirar a força dos protagonistas - uma metáfora metalingüistica do que Leônidas fala sobre a força de um rei estar nos homens ao seu lado. E ainda bem que Santoro não se destacou tanto: Nenhum filme clássico precisa de um Coringa que eclipse o Batman.
Vá esperando uma boa adaptação de quadrinhos como Marcas da Violência, Sin City ou Batman Begins e saboreie 300 como um clássico. Depois de tantos exemplos populares de como HQs podem ser uma forma de arte, já saio de casa carregando meu exemplar de Batman - O Cavaleiro das Trevas orgulhosamente, como se estivesse com um Dostoievski.
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Avaliação Bonequinho Cego:

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