A Paixão de Cristo



Contar uma história que todo mundo sabe – ou acha que sabe – é uma tarefa dificil. Mel Gibson decidiu contar a sua leitura ortodoxa do novo testamento sem explicar tudo. Ele não fala com cuidado dos ensinamentos de Cristo, limitando o filme ao exemplo que ele deu nas suas últimas horas. O resultado é que, para quem faz uma leitura não religiosa do filme, faz mais sentido Edward Norton apanhando em Clube da Luta do que Jim Caviezel em A Paixão de Cristo.

Jim Caviezel: Olhos que brilhamA caracterização – mais do que a interpretação – de JC é um dos pontos fortes do filme. Ele não deixa de ser altivo, mesmo carregando a cruz. Seus olhos brilhantes são um ótimo detalhe e a possibilidade dos diálogos em língua original são uma idéia a ser levada a sério mais vezes no cinema.

Mas não é preciso ser religioso para fazer a tal “leitura religiosa”. É só não ir ao cinema esperando um filme muito realista ou historicamente preciso. Os personagens, com raras exceções, estão caricaturados e nem é preciso ser Deus pra saber quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Se o filme é anti-semita? Bem, não aparecem muitos judeus que vão para o céu, o que condiz com o resto dos exageros maniqueístas do filme. Se o Messias de Gibson tivesse tido alguma relação sexual nas suas últimas doze horas, A Paixão de Cristo seria um filme pornô.


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Avaliação Bonequinho Cego:


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