<

Amor à queima roupa

02.04.04 por Bruno Oliveira
Quanto um filme é de autoria do roteirista, quanto é de autoria do diretor? Esta é uma daquelas perguntas sem resposta. Certo é que quando um cineasta de talento toca em um projeto, deixa sua assinatura. Para ficar bom, um filme deve somar boas idéias em cada passo de sua produção. O autor imagina, o diretor vê. Figurinista, diretor de arte, diretor de fotografia; cada um destes contribui um pouco para que a experiência de assistir o filme fique mais densa e real.

Primeiro roteiro de Tarantino: talento evidente na tela.Ainda sem versão em DVD no Brasil, Amor à queima roupa, o primeiro roteiro de Quentin Tarantino – mas que só foi produzido depois de Cães de Aluguel – tem a assinatura de seu criador. Além de ter uma história sensivelmente pessoal – Tarantino trabalhava numa videolocadora, quando escreveu essa história sobre um cara que trabalhava numa loja de gibis – abusa de artifícios que foram reutilizados em seus outros filmes: nomes repetidos de personagens – por exemplo, Alabama – e até diálogos inteiros que aparecem em outros filmes – “Eu pareço uma loira de peitos grandes? Então por que é que você quer foder comigo?”, pronunciada quase ipsis litteris por Samuel L. Jackson em Pulp Fiction.

Seguindo os passos para o sucesso, além do roteiro antológico e da direção segura de Tony Scott (Top Gun, Um Tira da Pesada II, Jogo de Espiões, etc) o filme conta com um elenco inacreditável: Christian Slater, Patricia Arquette, Dennis Hopper, Gary Oldman, Brad Pitt, Christopher Walken, Samuel L. Jackson, Tom Sizemore, entre outros. A maioria deles fazendo pontas quase figurativas. Val Kilmer faz papel de Elvis Presley (!) sem que seu rosto apareça focalizado sequer uma vez.

Somos, lembremos, o último país a lançar Kill Bill Vol.1 nos cinemas. E enquanto no Brasil nem Amor à queima roupa, nem Um Drink no Inferno são lançados em DVD – e Jackie Brown e O Grande Hotel têm versões em formato fullscreen, se você conseguir achá-los – lá fora o “Bonnie & Clyde dos anos 90” ganhou um DVD especial, duplo, onde encontramos três comentários de áudio, sendo um só de Quentin Tarantino. É pagar pra ver. Em dólar.

Deixe seu comentário