Anti-Herói Americano
por Bruno Oliveira

Depois de perceber que seu trabalho como arquivista em um hospital em Cleveland poderia durar sua vida toda, e influenciado por Robert Crumb, desenhista de quadrinhos alternativos, arriscou uma carreira artística.
O problema é que Pekar, sujeito anódino, parecia não ter nada de bom para transmitir. Mas tinha consciência de que “a desgraça precisa de companhia”. Com um público alvo definido, começou a roteirizar sua miserável autobiografia em quadrinhos. Sim, ele é o personagem medíocre e cínico de suas próprias histórias. O sucesso moderado não trouxe muito dinheiro, mas graças a suas aparições no programa de David Letterman virou uma espécie de celebridade.
O filme foi indicado para o Oscar de melhor roteiro adaptado e para o Globo de Ouro de melhor atriz coadujante (Hope Davis, que faz a mulher de Pekar). Recebeu prêmios em Cannes, Sundance, Deauville e foi escolhido o melhor filme de 2003 pela Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles em 2003. O bonequinho prefere ser cego.
Misturando imagens de arquivo e filmagens atuais do próprio Harvey com ficção, o filme adapta a história dos quadrinhos: a insignificante vida de Harvey Pekar, que apesar de ter responsabilidades adolescentes e viver nos EUA, umbigo do mundo, ainda diz que a “vida cotidiana é uma coisa muito complicada”. E isso não é só merchandising, ou uma crítica inteligente à cultura americana. É algo pior: uma espécie de Forrest Gump pessimista e assustadoramente real. Uma ode burra à cultura que faz qualquer tipo de sucesso parecer suficiente.
O roteiro do filme tem seus méritos. Ao juntar habilmente documentário e ficção, consegue fazer um documentário melhor e uma ficção melhor. Podemos, inclusive, comparar as excelentes atuações do filme com a realidade. Paul Giamatti, que interpreta Harvey Pekar é ótimo ator. Mas não basta, porque, além de um personagem sem conteúdo, não há ritmo. Dá sono.
Shari Springer Berman e Robert Pulcini, diretores do filme, tentam fazer as imagens parecer tiradas de quadrinhos, mas não chegam nem perto de Ang Lee, em Hulk. Não dá para tirar da cabeça que Paul Giamatti já fez um drama-comédia muito melhor junto a Jim Carrey: Mundo de Andy, que parece ser tudo que Anti-herói americano gostaria de ser em termos de ritmo e tom. Até mesmo A Vingança dos Nerds, fortemente citado na película, é um filme muito mais divertido.
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Avaliação Bonequinho Cego:

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