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Bem vindo à Selva

21.03.04 por Bruno Oliveira
Depois que Arnold Schwarzenegger que envelheceu e virou governador da Califórnia, a mídia em torno de Hollywood começou a especular sobre o substituto para o título de brutamontes oficial dos filmes de ação. Nesta disputa dois atores se destacam: Vin Diesel, que vem alternando bons filmes com sucessos de bilheteria e Dwayne ‘The Rock’ Johnson, ex-campeão de luta livre que ganhou o maior salário de estréia da história do cinema – em O Escorpião Rei.

The Rock: fazendo pose no 'Brasil'Apesar de não ter nenhum filme excepcional no currículo, o herói de Bem-vindo à selva sai na frente em pelo menos dois quesitos; primeiro, ele leva a benção de Schwarza, que faz uma ponta logo no início da película com uma frase de quem está passando o bastão: “Divirta-se”; segundo, a não ser se considere o Triplo X de Vin Diesel um filme de comédia – o que não seria completamente injusto –, The Rock é o único que exercita sua veia cômica, coisa que seu antecessor, exterminador, fez durante sua carreira.

O filme de Peter Berg é divertido, mas, para o público brasileiro, seus defeitos são potencializados. Grande parte do filme se passa no Brasil e a “selva” do título em português é a amazônica. Pode-se imaginar o resto? Os “brasileiros” cospem seus diálogos com um sotaque carregado e o resto do pano de fundo também é distorcido. Façamos justiça lembrando que a equipe que procurava locações para filmar no Brasil foi assaltada e por isso desistiu-se de investir nesse detalhe, que certamente passará desapercebido pelos americanos.

Se fecharmos os olhos nós mesmos para este “detalhe”, veremos que a criatividade nas cenas de ação – coisa que não se via desde chinfrin-mas-estiloso Romeu tem que morrer – compensa. Os exageros, na medida certa, são feitos no estilo Shaolin Soccer – divertidíssimo filme de ação-comédia chinês que nem sei se será lançado no Brasil.

Christopher Walken com seus capangasSeann William Scott continua o eterno Stifler de American Pie. Mas o herói do filme tem carisma e Christopher Walken passeia em cena, funcionando como um pedigree para as atuações.

A lembrança que fica é de The Rock em ação com a bandeira do Brasil flamejando ao fundo. Nos faz pensar em até quando o Brasil vai ter lidar só com filmes pretensiosos. Cadê o cinema de ação nacional? E por que Cidade de Deus é uma exceção no que diz respeito à qualidade técnica do cinema nacional? Cadê o nosso Robert Rodriguez?

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