Bicicletas de Belleville



Sylvain Chomet, diretor deste excelente longa de animação que concorreu ao último Oscar, gosta de alegorias. Tudo em Bicicletas de Belleville tem interpretações mais profundas que à primeira vista. É um filme lento e assim mesmo hilário, que faz questão de mostrar suas origens e suas diferenças. E não, as crianças não vão gostar.

Logo no início da película vemos Fred Astaire dançando, quando seus sapatos tomam vida própria e devoram-no. Este é só um exemplo de como o filme ilustra a influência dos objetos, e do capitalismo, nas pessoas, mesmo que elas não estejam conscientes disso.

As trigêmeas do título original, ainda jovensA história se passa em torno de um garoto que, ainda criança, se apaixona por pedalar. Sua única família é sua avó, que o incentiva e treina, e seu cachorro, Bruno (há há, eu sei). O tempo passa e o meio-ambiente deles é completamente influenciado pelo “progresso”. Suas vidas parecem permanecer inalteradas, mas, numa competição de ciclismo – o Tour de France –, quando o jovem começa a se destacar, algo acontece. São os sapatos engolindo o dançarino.

Em fevereiro, quando anunciaram que Procurando Nemo levara o Oscar de Melhor Longa de Animação, fiquei um pouco chateado. Justiça seja feita, Nemo é melhor que Bicicletas, mas uma animação corajosa e adulta ganhar o Oscar faria muito melhor para o cinema do que mais um prêmio de animação para a Pixar.


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Avaliação Bonequinho Cego:


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