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Brilho eterno de uma mente sem lembrança

26.07.04 por Bruno Oliveira
De vez em quando a gente se pergunta quando vai assistir a outro breakthrough dos roteiros, outra mudança radical na construção dos filmes. Chegou a hora. Assim como Pulp Fiction fez com a estrutura recortada, Brilho eterno consolida a associação psicológica dos acontecimentos na maneira de escrever filmes. Esqueçam Bergman – não é a mesma coisa. Este é ágil e divertido.

Brilho eterno de uma mente sem lembrançaE os meritos não são de um autor, mas dois: o diretor e Michel Gondry o roteirista Charlie Kauffman. Como é que Kauffman faz essa obsessão pela mente, engarrafada em filmes loucos, funcionar sistematicamente tão bem nas telas? É muito impressionante que ele e o diretor saibam que um roteiro tão insano vá gerar um resultado tão bom. Como é que investem dinheiro nessa loucura toda? Coisa de gênios em fina sintonia.

E é esta sensibilidade que impressiona. O filme não é melodramático falando de amor nem atrapalhado falando de ciência. Tem sempre o tom certo e um descaso elegante com a complexidade que não ajuda a história a andar. É até triste comparar Brilho eterno com O Pagamento, de John Woo, que quando trata do mesmo assunto – apagar a memória de alguém – causa até constrangimento para os minimamente exigentes com a verosimilhança do roteiro.

O elenco – uma constelação que não foi boba e aceitou trabalhar por menos pra fazer parte da história do cinema – brilha, e quem ainda não acredita em Jim Carrey, tem mais uma chance de conferir que ele não faz só comédia. Kate Winslet está irreconhecível e os coadjuvantes (Elijah Wood, Kirsten Dunst etc), ótimos. Todos eles essenciais para o filme.

Um Comentário para “Brilho eterno de uma mente sem lembrança”

  1. […] “Viva cada decepção como se fosse a primeira”, etc. Mas algo parecido já foi tentato no Brilho Eterno e não deu mt certo. Não é mt pedagógico, […]

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