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Caixa Dois

19.04.07 por Bruno Oliveira
O filme começa com vontade de ter diálogos tarantinescos, mas não empolga. Começa agil, mas parece que não vai a lugar algum. Aí vêm os créditos iniciais com um desenho animado pouquíssimo inspirado. Tudo indica que vão ser duas horas de tortura em língua natal. Errado.

Depois dos primeiros minutos, enquanto você se acostuma com o tom de farsa, as qualidades de Bruno Barreto começam a aparecer. Todos os atores mais-manjados-impossível parecem convincentes nos seus papéis, e o filme realmente foge da sua maior armadilha, que era de teatralizar demais o roteiro que é uma adaptação dos palcos.

E depois da primeira hora vc começa a ver que pode haver um “algo mais”.

Eu sei que em tempos de Albergues, e Jogos Mortais eu não deveria me impressionar com a violência no cinema. Mas é justamente o que o cinema brasileiro tem de mais importante – a proximidade com a realidade do espectador – que impressiona: A corrupção é mostrada com complacência.

Em tempos de exclusão social a única violência indesculpável é o roubo de quem tem dinheiro. Mas todo mundo sabe bem como é a cultura do se dar bem. Em Caixa Dois o vilão é conjuntural. Qualquer um dos personagens que estivessem no lugar dele dariam um bom vilão. E é esse banho de realidade impressiona e faz com que o filme não seja mais uma comediazinha.

Depois do filme, vale a reflexão: São os documentos históricos que nos contam os fatos do passado, mas é a ficção que revela o que as pessoas realmente pensavam.

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