Caixa Dois
por Bruno Oliveira
Depois dos primeiros minutos, enquanto você se acostuma com o tom de farsa, as qualidades de Bruno Barreto começam a aparecer. Todos os atores mais-manjados-impossível parecem convincentes nos seus papéis, e o filme realmente foge da sua maior armadilha, que era de teatralizar demais o roteiro que é uma adaptação dos palcos.
E depois da primeira hora vc começa a ver que pode haver um “algo mais”.
Eu sei que em tempos de Albergues, e Jogos Mortais eu não deveria me impressionar com a violência no cinema. Mas é justamente o que o cinema brasileiro tem de mais importante - a proximidade com a realidade do espectador - que impressiona: A corrupção é mostrada com complacência.
Em tempos de exclusão social a única violência indesculpável é o roubo de quem tem dinheiro. Mas todo mundo sabe bem como é a cultura do se dar bem. Em Caixa Dois o vilão é conjuntural. Qualquer um dos personagens que estivessem no lugar dele dariam um bom vilão. E é esse banho de realidade impressiona e faz com que o filme não seja mais uma comediazinha.
Depois do filme, vale a reflexão: São os documentos históricos que nos contam os fatos do passado, mas é a ficção que revela o que as pessoas realmente pensavam.
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