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Dirigindo no escuro

06.03.04 por Bruno Oliveira
Assistir a um Woody Allen é sempre bom. Muitos de seus filmes poderiam ser melhores, mais bem cuidados, mas ele é acima da média sem fazer esforço. Todo o sarcasmo e a ironia do diretor usados para criticar os californianos e a “industria” do cinema fazem de Dirigindo no escuro um presente para os cinéfilos.

Hollywood Ending (2002)Você vai ver um protagonista paranóico, hipocondríaco e com uma crise de estresse e auto-confiança. Como sempre. Mas quem se importa de rir mais desta mesma piada, desde que misturada com novos diálogos inteligentes e referências inusitadas?

Ainda há uma boa surpresa técnica: o VHS do filme estava em widescreen! Não é raro que alguns bons filmes sejam lançados em fullscreen mesmo em DVD. Um absurdo.

Vou resumir minha indignação. Existe cargo chamado direção de fotografia que, durante a produção de um filme, é o segundo nome no set. Ele só não é mais importante que o diretor. O trabalho desse profissional consiste, muito resumidamente, em enquadrar e iluminar. Quando uma distribuidora de filmes resolve que um filme – que está um formato retangular – tem que encaixar nas TVs – quadradas –, eles simplesmente cortam seus pedaços laterais. E assim vai para o lixo grande parte do árduo trabalho do diretor de fotografia.

Por exemplo: em um filme como Seven – Os sete crimes capitais, onde a proporção original é de 2.40:1, é convertido para TV (cuja proporção é 4:3) quase metade do filme é perdido. Isso quer dizer que quando você aluga Seven em vídeo você vai ver um pouco mais da metade do filme. Um Three, ou no máximo um Four, se você arredondar para cima.

As desculpas para este crime são muitas. No VHS é pela restrição de qualidade da mídia, e dá para entender. Mas em DVD não há perdão. Bons filmes como Homem-Aranha (distribuido pela Comlumbia, aqui no Brasil) e Thomas Crown – A Arte do Crime (distribuido pela Fox) não têm versões em widescreen. Um absurdo.

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