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Looney Lunes de volta à ação

06.04.04 por Bruno Oliveira
Os personagens dos desenhos clássicos da Warner Bros. são bidimensionais em todos os sentidos. Suas personalidades simples sempre ajudaram a comédia ágil das curtas animações. Um longa metragem não conseguiria inserir complexidade nos personagens sem descaracterizá-los completamente.
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Esse problema havia sido bem resolvido com Uma Cilada Para Roger Rabbit, primeiro filme bem sucedido em misturar desenhos e atores. Os atores ajudavam a desenvolver a trama e os cartoons ficavam com as piadas. Seguindo o exemplo, Space Jam deu quase toda a atenção aos personagens de carne e osso. O problema é que o “protagonista” desta história era Michael Jordan que não é ator, nem mostrou carisma. O fracasso foi completo, desagradando mesmo para quem curte desenhos e é fã de basquete.

Looney Tunes de volta à ação também bebe da mesma água, mas Joe Dante faz um bom trabalho. Os atores, bem… os atores são atores de verdade. Brandan Frasier convence mais como comediante do que como galã de filmes de ação. Timothy Dalton – que eu sempre achei um ótimo James Bond, apesar de todo mundo falar o contrário – faz um papel secundário de primeira, e Steve Martin, exagerado, mostra algumas nuances de como vai ser sua versão do Inspetor Clouseau na refilmagem da Pantera Cor de Rosa. Todos dão suporte à atuação dos personagens animados que repetem, sem nenhuma vergonha, as mesmas piadas dos desenhos clássicos de Chuck Jones, Friz Freleng, Robert McKimson e cia.

Pernalonga e Patolino: os heróis da açãoMas não são só referências de desenhos animados: temos Batman, Psicose, Vampiros de Almas etc. O filme é repleto delas, algumas óbvias e outras difíceis de encontrar. Um prazer à parte para os cinéfilos, que ficamos tentando achar todas – só esquentando antes de Kill Bill Vol.1 estrear.

A interação dos personagens 2D com os atores não é tão boa como as que ficamos acostumados a ver nas animações 3D, e talvez o estilo de humor já esteja datado. O apelo do filme parece ser maior para um adulto nostálgico (e bobo?) do que para crianças habituadas a animes, Dexters e Nemos. Espero que eu esteja errado.

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