Matrix revolutions
por Bruno Oliveira
O Matrix original era um filme que amarrava as pontas e saciava todas as nossas curiosidades. O fantástico era explicado logicamente e as cenas de ação pareciam ser só uma esnobada tecnológica de quem tinha um ótimo roteiro nas mãos. A filosofia, dita en passant, era elegante e despretensiosa.
Agora vamos imaginar exatamente o contrário disso tudo: excesso de efeitos atropelando um roteiro mal escrito; filosofia explicadinha nos mínimos detalhes, quebrando o ritmo; coisas muito mais fantásticas sem nenhuma explicação plausível. Este é Revolutions. A sensação é de que os irmãos Wachowski pisaram de propósito no próprio castelinho de areia.
Em DVD, sem o impacto de uma telona de cinema, os defeitos são mais devastadores ainda. Vou concentrar as críticas no roteiro que, como poderia ter dito David Mamet, não ficaria tão ruim se não fosse por pura preguiça de Larry e Andy em achar soluções melhores para os clichês. Algumas pérolas: o garoto que puxa o saco de Neo por tê-lo salvo em um dos Animatrix – “Neo! Eu Acredito!”; Trinity, que não reconhece os padrões cerebrais de uma pessoa plugada na Matrix, quando vê o exame de Bane – na realidade agente Smith, inexplicavelmente encarnado no corpo de uma pessoa do mundo real; os robôs APC, que são uma cópia descarada da empilhadeira de James Cameron em Aliens – O Resgate. O problema nem é exatamente a cópia, mas a incoerência de uma máquina de guerra que não tem nenhum tipo de blindagem ou proteção para o piloto – até um cisco no olho poderia ser fatal. Tá bom, né? Falar mais é chutar cachorro morto.
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Avaliação Bonequinho Cego:

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9 Julho 2007 às 16:09