por Bruno Oliveira
Roland Emmerich, o alemão mais americano de todos os tempos, poderia entrar, junto com Jean-Claude Van Damme, na lista das celebridades
hollywoodianas que nunca fizeram um trabalho bom em suas carreiras (Curiosamente, esses dois já se encontraram em uma
produção trash, nos anos 90). Depois de fazer pelo menos cinco bombas consecutivas, quem esperaria um filme razoável? Ninguém. Talvez a surpresa seja o segredo do sucesso.
Com uma trama menos nojentamenteamericana do que a de seus filmes anteriores – até colocando os EUA como vilões da história – e um certo realismo (não esperem muito), a película nos remete mais a Impacto Profundo do que a qualquer outro filme-catástrofe. Emmerich não tenta ser cool o tempo todo, nem explora demais as cenas de destruição. Às vezes força uma barra para criar cenas de ação – como o ataque dos lobos de zoológico – mas isso não chega a incomodar tanto.
Os efeitos são bons, e as cenas menos realistas são as que envolvem água digital. O elenco chama a atenção pela irregularidade. Atores do calibre de Ian Holm e Jake Gyllenhaal, o Donnie Darko, contracenam com canastrões do porte de Dennis Quaid – que cospe explicações cientificas com cara de quem não está entendendo as próprias palavras.
Ver o filme num daqueles cinemas que parece que economizou dinheiro tirando o termostato do sistema de refrigeração, também ajuda a entrar no clima. No frio exagerado, enquanto o compressor do ar condicionado vaza CFC na atmosfera, parece que a era glacial já chegou. E a ressaca levanta ondas de três metros, sujando a Vieira Souto de areia.
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28 Agosto 2007 às 15:21