Roger e Eu
por Bruno Oliveira
Ele sabe o que quer, tem inteligência e humor afiado. Ironiza as contradições desumanas do capitalismo como quase ninguém. Mas é preciso saber que ele não é imparcial. Nem é seu objetivo, claro – o que não faz dele um documentarista pior. É um estilo, mas é preciso enxergar isso ao ver seu trabalho. O espectador deve ter a consciência – que Moore tem – de que, às vezes, uma boa piada substitui uma análise mais profunda das questões.
Em Roger e Eu, seu primeiro longa, Michael Moore conta a história de Flint, sua cidade natal, que, depois de ter sido atingida pela decisão da General Motors de mudar suas fábricas para o México, acabando com cerca de 30 mil empregos, virou a cidade mais violenta dos EUA. Como em seus outros trabalhos, Michael parte de uma situação consensualmente ultrajante e procura suas causas.
No filme, vemos um diretor amadurecendo e definindo suas assinaturas. Muitos dizem que sua mania de aparecer na frente das câmeras é puramente egocêntrica. Discordo. Com seu visual simples, de boné e calça jeans, faz o papel de uma pessoa comum que, com bom senso, argumenta racionalmente no meio de declarações freqüentemente absurdas. Ele é uma figura carismática e por isso mesmo a fórmula funciona; sempre com ajuda de uma excelente - e, esperamos, honesta - edição.
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Avaliação Bonequinho Cego:

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