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Sob a névoa da guerra

08.04.04 por Bruno Oliveira
Alguns críticos brasileiros não andam vendo Sob a névoa da guerra livres de preconceito. Parece que qualquer filme que não mostrasse Robert Mcnamara como o diabo encarnado seria tratado como uma bobagem, produto distorcido do imperialismo ianque.

Sob a névoa da Guerra: versão de McNamaraA injustiça, em parte, é cometida por não enxergarem que o propósito da obra não é a investigação da verdade, ou o confronto de opiniões. Não é um filme de Micheal Moore. O documentário só registra a versão de Robert McNamara dos acontecimentos. Uma versão corajosa de um homem que mostra sinceridade, admite erros e em certo ponto até diz que se os EUA tivessem perdido a Segunda Guerra ele seria considerado um criminoso de guerra.

Claro, o ponto que interessa a todos não é este, e sim o tempo em que ele foi Secretário de Defesa. Aí muitos dizem que o diretor Errol Morris foi manipulado, que não interrogou ou confrontou McNamara da maneira correta. Absurdo. Morris conhece o princípio da incerteza, sabia de sua influência no entrevistado e tinha consciência de que, apesar de algumas confissões, McNamara estaria interessado em deixar uma boa imagem de si mesmo na história. Então, quando questionado pelos seus erros e sua culpa sobre o fiasco no Vietnã, McNamara, não perdendo a sinceridade – o que poria toda a credibilidade de suas declarações a perder – omite algumas respostas. Compreensível, para um homem que quer contrabalançar as opiniões exaltadas que o mundo tem sobre ele.

O que se vê na tela é um documentário sobre um homem racional, feito por outro homem racional. Um banho de bom senso que se destaca de todo sentimentalismo, caminho fácil dos documentários mal feitos. As onze lições a que se refere o título original, longe de óbvias, são de extremo valor.

Não espere uma entrevista com um Nobel da Paz. Antes de entrar no cinema, livre-se de todos os argumentos baratos do pacifismo utópico. O homem retratado em Sob a névoa da guerra era um homem de ação, pragmático, que diz ter tomado as melhores decisões que pode, quando precisou tomá-las. Em beneficio de seu país, claro – e quem pode culpá-lo por patriotismo?

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